Analisando a carta aos Hebreus, no capítulo 7, o autor sagrado admite que, segundo os padrões judaicos, Jesus não estava qualificado para o sumo sacerdócio levítico, porquanto não pertencia à tribo de Levi, o que era um pré-requisito absoluto.
Apesar de que, no primeiro século de nossa era, havia muitas exceções à regra veterotestamentária, pois havia sacerdotes que não podiam comprovar sua ascendência levítica, o autor sagrado não estava interessado em apresentar a Jesus como sacerdote levítico, como se a ele estivesse sido permitido ocupar tal posição, como caso excepcional.
Antes, Jesus cumpre todas as exigências de qualquer sacerdócio, por ser ele a fruição do que está implícito no termo "sacerdócio", no que concerne à posição de mediador e de intercessor em favor do povo. Outrossim, Cristo pertence a uma categoria sacerdotal superior à de Levi, a saber, a ordem de Melquisedeque.
Os leitores originais do tratado tinham perfeita consciência do fato que, em relação a Abraão, Melquisedeque, em certa ocasião, pelo menos, exerceu funções sacerdotais. Porém, não houve nenhuma ordem sacerdotal que usasse seu nome; portanto, o ensino inteiro aqui é criação do autor sagrado, e certamente, foi uma novidade para seus leitores.
E nisso consiste a grande contribuição da epístola aos Hebreus: o sumo sacerdócio de Cristo, apesar de implícito em outros lugares (Rm. 8.34), jamais foi sujeito a qualquer tipo de análise.
Hebreus é, essencialmente a análise de Jesus como nosso Sumo Sacerdote, e as advertências ali existentes se baseiam sobre esse ponto. Ele é o nosso mediador, intercessor e pioneiro no caminho, além de ser o próprio caminho. Ele é o precursor até ao Santo dos Santos, ao qual lugar ele tenciona levar os outros filhos.
Portanto, ele é maior que qualquer sumo sacerdote normal, pois nenhum sumo sacerdote exerceu suas funções, conduzindo homens ao Santo dos Santos. Ora, visto que ele é todas essas coisas para nós, é um desastre alguém afastar-se dele, ignorando-o, rejeitando-o ou apostatando dele.
O sétimo capítulo apresenta o desenvolvimento da ideia do sumo sacerdócio de Melquisedeque. O autor preparou cuidadosamente o caminho para tal exposição. A nota de sumário sobre "Melquisedeque e seu sumo sacerdócio" aparecem em Hebreus 5.6. Ali aparece tudo quanto se sabe e se poderia imaginar sobre Melquisedeque, juntamente com o sacerdócio que recebe seu nome.
Jesus Cristo, na qualidade de sacerdote, bem como o ofício sumo sacerdotal, que lhe pertence, são esclarecidos detalhadamente nas notas expositivas sobre Hebreus 2.17. A ideia sobre o sacerdócio de Melquisedeque já provocara extensas exortações e avisos em Hebreus 5.11 e 6.20, que são os escritos mais severos de todo o Novo Testamento. O tema geral alonga-se até ao décimo capítulo, e novamente se desdobra em severas advertências contra a apostasia, pois, para nosso autor, a apostasia era fatal e sem remédio.
O autor sagrado, no desdobramento que se segue, não alicerçou seus argumentos atinentes ao sacerdócio de Melquisedeque sobre o Antigo Testamento, porque aquilo que mostra a seus leitores é algo realmente novo, que não ficam implícito nesse documento do Antigo Testamento. A menção do sacerdócio de Melquisedeque em Salmo 110.4 mostra que havia alguma tradição sobre a questão; mas o próprio tema nunca é desenvolvido no Antigo Testamento, havendo também muito pouco nos escritos rabínicos a respeito, pelo simples fato que não havia, em operação, qualquer sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque.
Jesus é o cumprimento do ideal desse sumo sacerdócio, mas o que pode ser dito sobre isso forçosamente é dito fora do Antigo Testamento. O autor sagrado, após afirmar a sua tese, que identifica com Melquisedeque, deixa-o para trás e desenvolve a ideia inteira do sumo sacerdócio de Jesus, tal como já deixara para trás anjos e a pessoa de Moisés, a quem Cristo ultrapassou. Em Melquisedeque o autor sagrado encontra a validade e a autoridade do sumo sacerdócio de Jesus, mas a sua função é descrita em comparação com o sacerdócio levítico, e em simples assertivas de como Jesus cumpriu e ultrapassou as noções do sacerdócio no Antigo Testamento. Depois do décimo sétimo versículo deste capítulo Melquisedeque não é mais mencionado. Por essa altura, já serviu a seu propósito, e daí por diante é considerada apenas a pessoa de Jesus.
Alguns estudiosos têm imaginado um "culto a la Melquisedeque", e que o autor sagrado. polemicamente, teria atacado, situando-o abaixo do de Jesus, no sentido que este último seria o cumprimento do "protótipo" que seria Melquisedeque. Porém, essa suposição não tem qualquer confirmação histórica. Tudo quanto resta agora ao autor sagrado é definir que Jesus é Sumo Sacerdote, tal como, no primeiro capítulo, ele mostrara ser ele o Filho; e esse é o propósito real por detrás do uso de Melquisedeque. Por conseguinte, neste ponto o autor se mostra "instrutivo", e não "polêmico".
O autor sagrado não ignora a história, porquanto alicerça seus argumentos sobre Gêneses 14.17-20 e sobre Salmos 110.4. Contudo, levanta a questão completamente para fora do contexto histórico, elevando-a até aos lugares celestiais; e, ao fazer isso, vai além de qualquer coisa que poderíamos imaginar ser residente nas passagens aludidas do Antigo Testamento.
O argumento do autor sagrado é como segue:
1. Melquisedeque estava revestido de grande dignidade, como protótipo de Cristo.
2. Melquisedeque era mais importante que Abraão, Levi e os levitas.
3. A superioridade de Melquisedeque é vista no fato que ele apresenta uma ordem sumo sacerdotal mais antiga e mais elevada que a do sacerdócio levítico. O sacerdócio levítico tem suas imperfeições e deficiências. O sacerdócio de Cristo preencheu essas falhas que havia no antigo sistemas sacerdotal levítico.
4. A lei, sobre a qual repousava o antigo sacerdócio levítico também é vista como deficiente, pelo que também a "lei de mandamentos carnais" foi substituída pelo poder vivo de uma vida interminável. Isso introduz uma melhor esperança, mediante a qual a perfeição pode ser atingida, algo muito além da capacidade da lei mosaica.
5. O juramento divino, que confirma o sacerdócio de Cristo, traz consigo um "pacto melhor", tornando obsoleto o pacto antigo, incorporando em si mesmo tudo quanto estava simbolizado no antigo.
6. O antigo sacerdócio, além disso, era uma instituição transitória. O sacerdócio de Cristo é eterno e permanente, substituindo todos os sacerdócios anteriores. Os antigos sacerdotes morriam e tinham de ser continuamente substituídos. Cristo permanece para sempre, substituindo toda a antiga instituição, e não meramente um dos indivíduos da mesma.
7. Os versículos vigésimo sexto a vigésimo oitavo passam em revisão as qualificações do autêntico sumo sacerdote, repetindo algo que já aparecera em Hebreus 4.14, embora também adicione outros itens. Nisso ele subentende que seus leitores, ao se desviarem de Cristo, no espírito de letargia, podem confiar nele plenamente. Ele é capaz de remediar as enfermidades de suas almas, levando-as à bem-aventurança da esperança eterna.
"Tu, ó Cristo, és tudo quanto quero -
Mais do que tudo em Ti encontro"
(Charles Wesley)
Os Macabeus, ao descontinuarem o sacerdócio aarônico, justificaram sua ação chamando-se a si mesmos de "sacerdotes do Deus altíssimo", segundo a dignidade sacerdotal de Melquisedeque. Era uma presunção e uma falta de representação. Cristo é aquele no qual o sumo sacerdócio celestial ultrapassou todas as instituições e pretensões humanas.
FONTE: CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado - versículo por versículo. Volume V. EDITORA CANDEIA. São Paulo. 1995, pgs. 548-549.
Apesar de que, no primeiro século de nossa era, havia muitas exceções à regra veterotestamentária, pois havia sacerdotes que não podiam comprovar sua ascendência levítica, o autor sagrado não estava interessado em apresentar a Jesus como sacerdote levítico, como se a ele estivesse sido permitido ocupar tal posição, como caso excepcional.
Antes, Jesus cumpre todas as exigências de qualquer sacerdócio, por ser ele a fruição do que está implícito no termo "sacerdócio", no que concerne à posição de mediador e de intercessor em favor do povo. Outrossim, Cristo pertence a uma categoria sacerdotal superior à de Levi, a saber, a ordem de Melquisedeque.
Os leitores originais do tratado tinham perfeita consciência do fato que, em relação a Abraão, Melquisedeque, em certa ocasião, pelo menos, exerceu funções sacerdotais. Porém, não houve nenhuma ordem sacerdotal que usasse seu nome; portanto, o ensino inteiro aqui é criação do autor sagrado, e certamente, foi uma novidade para seus leitores.
E nisso consiste a grande contribuição da epístola aos Hebreus: o sumo sacerdócio de Cristo, apesar de implícito em outros lugares (Rm. 8.34), jamais foi sujeito a qualquer tipo de análise.
Hebreus é, essencialmente a análise de Jesus como nosso Sumo Sacerdote, e as advertências ali existentes se baseiam sobre esse ponto. Ele é o nosso mediador, intercessor e pioneiro no caminho, além de ser o próprio caminho. Ele é o precursor até ao Santo dos Santos, ao qual lugar ele tenciona levar os outros filhos.
Portanto, ele é maior que qualquer sumo sacerdote normal, pois nenhum sumo sacerdote exerceu suas funções, conduzindo homens ao Santo dos Santos. Ora, visto que ele é todas essas coisas para nós, é um desastre alguém afastar-se dele, ignorando-o, rejeitando-o ou apostatando dele.
O sétimo capítulo apresenta o desenvolvimento da ideia do sumo sacerdócio de Melquisedeque. O autor preparou cuidadosamente o caminho para tal exposição. A nota de sumário sobre "Melquisedeque e seu sumo sacerdócio" aparecem em Hebreus 5.6. Ali aparece tudo quanto se sabe e se poderia imaginar sobre Melquisedeque, juntamente com o sacerdócio que recebe seu nome.
Jesus Cristo, na qualidade de sacerdote, bem como o ofício sumo sacerdotal, que lhe pertence, são esclarecidos detalhadamente nas notas expositivas sobre Hebreus 2.17. A ideia sobre o sacerdócio de Melquisedeque já provocara extensas exortações e avisos em Hebreus 5.11 e 6.20, que são os escritos mais severos de todo o Novo Testamento. O tema geral alonga-se até ao décimo capítulo, e novamente se desdobra em severas advertências contra a apostasia, pois, para nosso autor, a apostasia era fatal e sem remédio.
O autor sagrado, no desdobramento que se segue, não alicerçou seus argumentos atinentes ao sacerdócio de Melquisedeque sobre o Antigo Testamento, porque aquilo que mostra a seus leitores é algo realmente novo, que não ficam implícito nesse documento do Antigo Testamento. A menção do sacerdócio de Melquisedeque em Salmo 110.4 mostra que havia alguma tradição sobre a questão; mas o próprio tema nunca é desenvolvido no Antigo Testamento, havendo também muito pouco nos escritos rabínicos a respeito, pelo simples fato que não havia, em operação, qualquer sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque.
Jesus é o cumprimento do ideal desse sumo sacerdócio, mas o que pode ser dito sobre isso forçosamente é dito fora do Antigo Testamento. O autor sagrado, após afirmar a sua tese, que identifica com Melquisedeque, deixa-o para trás e desenvolve a ideia inteira do sumo sacerdócio de Jesus, tal como já deixara para trás anjos e a pessoa de Moisés, a quem Cristo ultrapassou. Em Melquisedeque o autor sagrado encontra a validade e a autoridade do sumo sacerdócio de Jesus, mas a sua função é descrita em comparação com o sacerdócio levítico, e em simples assertivas de como Jesus cumpriu e ultrapassou as noções do sacerdócio no Antigo Testamento. Depois do décimo sétimo versículo deste capítulo Melquisedeque não é mais mencionado. Por essa altura, já serviu a seu propósito, e daí por diante é considerada apenas a pessoa de Jesus.
Alguns estudiosos têm imaginado um "culto a la Melquisedeque", e que o autor sagrado. polemicamente, teria atacado, situando-o abaixo do de Jesus, no sentido que este último seria o cumprimento do "protótipo" que seria Melquisedeque. Porém, essa suposição não tem qualquer confirmação histórica. Tudo quanto resta agora ao autor sagrado é definir que Jesus é Sumo Sacerdote, tal como, no primeiro capítulo, ele mostrara ser ele o Filho; e esse é o propósito real por detrás do uso de Melquisedeque. Por conseguinte, neste ponto o autor se mostra "instrutivo", e não "polêmico".
O autor sagrado não ignora a história, porquanto alicerça seus argumentos sobre Gêneses 14.17-20 e sobre Salmos 110.4. Contudo, levanta a questão completamente para fora do contexto histórico, elevando-a até aos lugares celestiais; e, ao fazer isso, vai além de qualquer coisa que poderíamos imaginar ser residente nas passagens aludidas do Antigo Testamento.
O argumento do autor sagrado é como segue:
1. Melquisedeque estava revestido de grande dignidade, como protótipo de Cristo.
2. Melquisedeque era mais importante que Abraão, Levi e os levitas.
3. A superioridade de Melquisedeque é vista no fato que ele apresenta uma ordem sumo sacerdotal mais antiga e mais elevada que a do sacerdócio levítico. O sacerdócio levítico tem suas imperfeições e deficiências. O sacerdócio de Cristo preencheu essas falhas que havia no antigo sistemas sacerdotal levítico.
4. A lei, sobre a qual repousava o antigo sacerdócio levítico também é vista como deficiente, pelo que também a "lei de mandamentos carnais" foi substituída pelo poder vivo de uma vida interminável. Isso introduz uma melhor esperança, mediante a qual a perfeição pode ser atingida, algo muito além da capacidade da lei mosaica.
5. O juramento divino, que confirma o sacerdócio de Cristo, traz consigo um "pacto melhor", tornando obsoleto o pacto antigo, incorporando em si mesmo tudo quanto estava simbolizado no antigo.
6. O antigo sacerdócio, além disso, era uma instituição transitória. O sacerdócio de Cristo é eterno e permanente, substituindo todos os sacerdócios anteriores. Os antigos sacerdotes morriam e tinham de ser continuamente substituídos. Cristo permanece para sempre, substituindo toda a antiga instituição, e não meramente um dos indivíduos da mesma.
7. Os versículos vigésimo sexto a vigésimo oitavo passam em revisão as qualificações do autêntico sumo sacerdote, repetindo algo que já aparecera em Hebreus 4.14, embora também adicione outros itens. Nisso ele subentende que seus leitores, ao se desviarem de Cristo, no espírito de letargia, podem confiar nele plenamente. Ele é capaz de remediar as enfermidades de suas almas, levando-as à bem-aventurança da esperança eterna.
"Tu, ó Cristo, és tudo quanto quero -
Mais do que tudo em Ti encontro"
(Charles Wesley)
Os Macabeus, ao descontinuarem o sacerdócio aarônico, justificaram sua ação chamando-se a si mesmos de "sacerdotes do Deus altíssimo", segundo a dignidade sacerdotal de Melquisedeque. Era uma presunção e uma falta de representação. Cristo é aquele no qual o sumo sacerdócio celestial ultrapassou todas as instituições e pretensões humanas.
FONTE: CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado - versículo por versículo. Volume V. EDITORA CANDEIA. São Paulo. 1995, pgs. 548-549.

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